🍱 O Golpe do Bentô que Nunca Chegou: o cara que comeu o sistema – e deixou rastros vazios
O Golpe do Bentô que Nunca Chegou: o cara que comeu o sistema – e deixou rastros vazios
Um sujeito chamado Takuya Higashimoto (東本拓也), de 38 anos, desempregado, foi preso por pedir comida no Demae-can, comer e depois reclamar que não chegou. Ele fez isso 1.095 vezes, recebendo ¥3,74 milhões em reembolsos — quase R$140 mil. Tudo acontecia de um único endereço. Ele nunca saiu pra rua, nunca teve moto pra entregar nem pra “responder” — era só ele e o aplicativo.
A polícia de Aichi o prendeu depois que o Demae-can denunciou o caso em junho. As investigações mostraram que ele trocou de número de celular 124 vezes para não ser rastreado. Há suspeitas de fraudes em outros aplicativos, mas o foco principal continua sendo o Demae-can.
Como funcionou
O esquema era simples e repetido inúmeras vezes. Higashimoto usava o sistema oki-hai (置き配), que permite deixar o pedido na porta. A sacola caía, ele observava pela fresta, pegava o pedido, comia, e depois abria o chat do app para escrever: “Não chegou.” O suporte, acreditando que fosse erro, devolvia o valor. Ele fazia isso repetidamente, mantendo 124 contas diferentes e trocando nomes, endereços e chips de celular para despistar o sistema.
Durante o interrogatório, confessou em japonês: “Aji o shimete nando mo yatta.” — que significa “Peguei o gosto e fiz várias vezes.” Fez uma vez, virou hábito. Também explicou que o padrão dele era viver dentro desse esquema.
Um dos pedidos que chamou atenção custava cerca de ¥16.000, com 19 itens, entre eles unagi don e hambúrgueres. Foi esse pedido que ajudou a polícia a rastrear o caso. O golpe durou dois anos, entre abril de 2023 e setembro de 2025, segundo as autoridades.
O que sabemos e o que falta esclarecer
Nenhuma fonte confiável confirma envolvimento dele com o Uber Eats ou outros aplicativos. As matérias japonesas focam exclusivamente no Demae-can, mas a polícia investiga se houve tentativas em plataformas parecidas.
Também não há confirmação oficial de que ele fosse um hikikomori (recluso social extremo), mas o padrão indica isso: isolado, desempregado e vivendo apenas de delivery. Psicólogos apontam que esse tipo de comportamento pode ser resultado de compulsão misturada com depressão ou vazio emocional, onde o “gosto” pela fraude vira rotina para preencher o tempo.
Não há sinais de cúmplices; tudo indica que ele agia sozinho. Também não há registros públicos de casos idênticos no Japão em 2025 envolvendo o Uber Eats com o mesmo tipo de fraude.
Nas redes japonesas, principalmente no X (antigo Twitter), o caso virou meme. Expressões como “タダ食い (tadashi-kui)”, que significa “comer de graça”, foram usadas junto de comentários irônicos como “Mil vezes e só agora pegaram?”.
A vida real de quem entrega — e sofre com clientes difíceis
Enquanto isso, quem trabalha como entregador vive outro tipo de golpe todos os dias: o da injustiça. Quem está na rua sabe como é lidar com o aplicativo, o algoritmo e o cliente ao mesmo tempo. Muitos reclamam de atrasos que não são culpa do entregador — chuva, trânsito, falhas do restaurante ou do próprio app. Outros dizem que “chegou errado” ou “faltou item”, mesmo depois de o entregador conferir tudo antes de sair.
Há também os cancelamentos de última hora, que fazem o trabalhador perder tempo e combustível. Avaliações ruins derrubam o histórico e reduzem as corridas. E não são raros os casos de reembolso automático de pedidos “não entregues”, mesmo quando há foto provando o contrário. Alguns clientes brigam, xingam ou expõem nas redes sociais, como se o entregador fosse o culpado. No fim, é difícil provar que fez tudo certo quando só você, o app e o cliente sabem o que aconteceu.
No Demae-can ou no Uber Eats, é o mesmo drama. Os aplicativos reduzem o valor por quilômetro, o sistema de taxa fixa muda sem aviso, e o suporte muitas vezes acredita mais no cliente do que no entregador. Casos como o de Higashimoto só pioram o cenário, porque quem realmente trabalha acaba sendo punido junto.
O impacto real
O ganho por quilômetro vem caindo, especialmente depois da pandemia. O sistema de taxa fixa (flat rate) que está sendo testado em Nagoya ainda gera confusão entre os entregadores. Cada nova fraude detectada reforça a desconfiança das plataformas, afetando todos — inclusive os trabalhadores honestos.
Mensagem na linha de frente
Quem entrega, enfrenta chuva, trânsito e clientes impacientes, sabe bem: nem todo mundo é justo. Há quem faça tempestade num copo d’água, reclame de qualquer detalhe ou nem abra a porta direito. Mas o importante é não deixar o sistema engolir você.
Fotografe sempre o pedido, a porta, a posição da sacola. Se o cliente inventar, responda com calma e mostre as evidências. Guarde prints e registros — eles te protegem. Não entre no jogo da fraude, porque isso vira notícia ruim. Participe de grupos, troque experiências e mantenha atenção aos alertas.
No fim das contas
Higashimoto pode até ter comido bem por um tempo, mas terminou comendo sozinho — e preso. Nós, entregadores e autônomos, fazemos o corre de verdade. Não somos alvos fáceis. Somos gente que trabalha, mesmo quando o sistema tenta nos engolir.
Fique atento, firme e consciente.
E se quiser, comente o que acha desse caso — porque ele diz muito sobre o que a gente vive hoje.
Fontes: Mainichi / FNN / Me-Tele / Sponichi / CBC News / Alternativa Japão
Período: abril de 2023 a setembro de 2025
Local: Nagoya, Província de Aichi, Japão
Eu trabalho com o Demaecan e sei por experiência, que se houve entregadores que tiveram reclamações da "não entrega do pedido", 100% de certeza que tiveram a conta suspensa, pois no Demaecan a tolerância é Zero, eles não admitem (sem justa causa) a falha da entrega, ainda mais no caso desse pilantra que foi por 2 anos, eu acho que dá para o pessoal que foram banidas, reverter a situação.
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